terça-feira, 25 de agosto de 2015

O verdadeiro significado do silêncio alheio

Volta e meia me deparo com revistas, jornais, manchetes de jornal e até programas de TV com teorias de Marte e Vênus sobre as diferenças de comportamento entre homens e mulheres dentro e fora de uma relação. Elas podem até ter uma cara nova a cada edição, mas algumas teorias são sempre as mesmas: homens são mais introspectivos, enquanto mulheres expõem o que pensam com mais facilidade, o que leva a conclusão do porque as mulheres gostam mais de discutir a relação por qualquer coisa.

Alguns homens se identificarão com a teoria da DR e dirão que passam por isso com bastante frequência em casa, e que agradeceriam se suas respectivas fossem menos "reclamonas" e mais "tolerante" com certos problemas cotidianos (afinal, todo casal tem problema - frase mais batida que as teorias de Freud).

Mas será que esses mesmos homens já pararam pra pensar o que representaria o tão sonhado silêncio?!


A primeira coisa que precisamos ter em mente quando nos casamos é que não estamos juntando as escovas de dente com nosso clone e que o "amor da nossa vida" não chega embalado com manual de instruções com canta a Pitty. Quando casamos, estamos construindo uma vida com uma pessoa (ou mais, por que não?) que pode e deve ter semelhança com nossos gostos e estilos de vida, mas nunca nosso reflexo.



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[ Ai, mas se você está me dizendo que casamento é a união entre duas pessoas totalmente diferentes, como elas podem dar certo? ] COM MUITA DR, CARA PÁLIDA. Não curtiu?! Sinto muito, mas é assim que as coisas se resolvem dentro de um relacionamento saudável.

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[ Mas então o que significa quando ela não conversa mais sobre a nossa relação comigo? ] Que ela está oficialmente em processo de desapego.



Posso te dar uma dica? MULHER NENHUMA GOSTA DE DISCUTIR A RELAÇÃO. Essa história de que mulheres adoram puxar briga por qualquer coisa não passa de um mero discurso machista que só serve para deslegitimar argumentos femininos dentro de qualquer discussão. Conversas mais sérias deverão vir sempre que algo não esteja fazendo bem ao integrante do outro lado. Falar sobre o que cada um deverá ceder para o relacionamento dar certo não é criar uma pauta pré-casório, ela requer, além de convívio, tempo e paciência.

E quando sua mulher simplesmente para de discutir sobre as meias jogadas no canto da casa, o seu dia da louça que sempre quem acaba lavando é ela, o excesso de ciúmes quando ela diz que vai sair com as amigas não significa que ela simplesmente tenha aceitado "seu jeito de ser", mas sim que ela desistiu de esperar uma atitude minimamente HUMANA de você. Como disse antes, todos nós temos defeitos, manias e características que o outro deverá, de alguma forma, aprender a conviver. Mas temos que nos dar conta que CEDER A MUDANÇA é essencial para que qualquer casamento de certo.


Então, caro colega, antes de sair gritando aos quatro ventos que sua mulher deixou de ser "chata" e não "te incomoda mais com DR´s", faça um check up no relacionamento, puxe você uma conversa séria sobre o que está acontecendo para tanto silêncio e ABSORVA o que o outro lado tem a dizer. Faça isso logo, senão quem sentirá saudade dos tempos de DR será você.

domingo, 16 de agosto de 2015

Você está casado, não morto

AVISO DE UTILIDADE PÚBLICA: esta postagem contém fortes spoilers da série "Gossip Girl". Se você já viu ou simplesmente não se interessa pelo conteúdo, fique a vontade para uma leitura corrida tranquila. 


Na cena, ao qual me inspirei para escrever o post de hoje,  Blair e Chuck finalmente resolvem assumir um relacionamento sério. Os dois se conhecem a anos, mas nunca se permitiram ter algo além de uma "amizade" por conta do namoro de Blair e da vida de solteiro-garanhão-pego-todas de Chuck. E quando pensamos que teremos um final feliz logo na primeira temporada, surge o pai de Chuck discursando sobre a vida a dois.

"Agora que você e Blair estão juntos, deve saber que a vida que levava até então acabou. Daqui pra frente, será só vocês dois. Sem noite de bebedeira com os amigos, sem sexo casual, fim da liberdade de ir e vir sem dar satisfações para sua namorada... ISSO, MEU FILHO, É VIDA DE ADULTO". 

Obviamente, acostumado a viver em liberdade, Chuck pensa duas vezes e conclui que não está pronto para cair de cabeça em algo tão sério e rompe com Blair, mesmo sabendo que ela é a mulher que ama.


Esse é aquele momento que todos os fãs da série se revoltaram com Chuck (e com o resto dos homens do mundo), não admitindo que ele fosse capaz de trocar um amor verdadeiro por sexo casual. Bem, a verdade é que não devemos culpar os Chucks da vida, mas sim os pais, representantes de uma sociedade patriarcal que insiste em comparar relacionamento sério com prisão domiciliar.

É evidente que passamos mais tempo com a pessoa que gostamos quando entramos em um relacionamento sério. Com o casamento não seria diferente. Mas o que impede de duas pessoas conviverem juntas e aceitarem que possuem vida própria?! Casamento não é e nem deve ser sinónimo de prisão.

Não é porque você é casado que não pode sair só com os seus amigos para jogar video game, ter encontros de Pokemon, assistir aos jogos do seu time do coração ou simplesmente sentar em um bar para tomar uma cerveja. E o mesmo vale para as mulheres: não precisa deixar de sair com suas amigas (e somente com elas) sem sentir que está traindo seu marido. A essência do casamento está justamente no casal entender que existe vida antes e durante a união, e que conviver com outras pessoas, permitir termos nossos momentos, fazer aquilo que queremos sem a presença do cônjuge não é traição. 

Traição é nos anularmos em prol do outro, esquecendo de quem realmente somos ao começar um relacionamento. 

Então, queridos Chucks, uma dica para vocês que estão com medo de entrar de cabeça em um relacionamento sério: CASAMENTO NÃO MATA NINGUÉM. Não pensem que uma aliança na mão esquerda represente o fim de uma vida. Pelo contrário, ela representa o início de uma era cheia de amor, companheirismo, boas conversas, muito café na cama, almoços de domingo com os parentes dela (e os seus, claro), idas ao cinema, cinema em casa, sem esquecer de respeitar e aceitar o momento individual de cada um. 


Agora que você sabe o real significado da palavra "CASAMENTO",  pode beijar a noiva. 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

"Você não é louca"

Se pararmos para analisar a história da humanidade com menos romantismo e mais realismo, fica fácil perceber que desde o inicio da escrita da história, mulheres são "amaldiçoadas" com os mais diversos tipos de rótulos sexistas.
Na Grécia Antiga,  "A Caixa de Pandora", um dos mitos mais sexistas da história, conta que, devido à CURIOSIDADE própria do sexo feminino, Pandora tinha aberto a caixa de todos os males do mundo, responsabilizando as mulheres pelas desgraças do mundo. 
a-caixa-de-pandora
No Cristianismo, a mulher retratava o PECADO CARNAL, culpada, assim, pelo desterro dos homens do paraíso, devendo seguir a trindade da obediência, da passividade e da submissão aos homens, como forma de obter sua salvação.  Essa visão mudou (+-) a partir do Século XIX, com a consolidação de um sistema que incluía a mulher no mercado de trabalho, contestando a imagem feminina inferior aos homem. 
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Hoje em dia, podem até não nos compararem com PECADORAS ou CURIOSAS, mas há um rótulo que carregamos desde a descoberta do nosso sexo: LOUCAS! Algumas mulheres não se importam de serem chamadas assim (felizes elas). Ao contrário de outras que sentem na pele como uma simples palavra pode desmoralizar todo um discurso de auto-defesa.

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- Nossa, que exagero. 
Ah é?! Experimenta discutir com teu marido sobre qualquer assunto. Qual o primeiro argumento que você acha que ele irá tirar da manga?!
- Ah, mas naquele dia eu tinha exagerado na briga. Não precisava ter sido tão dura com ele.
Naquela vez?! Quantas outras vezes teu discurso foi abafado pelo argumento "tu está agindo como LOUCA"?! 
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Que a verdade seja dita: ainda somos atingidas com uma cultura patriarcal que constantemente posiciona a mulher em uma posição inferior ao homem. Historicamente falando, a luta pelos nossos direitos é muito recente, se pararmos para contar os milhares de anos de opressão que nossas gerações anteriores sofreram.
Por mais difícil que seja admitir, em algum momento iremos viver esse tipo de opressão. Vamos reclamar das cuecas no chão, da louça suja, da casa que não foi varrida ou qualquer outro afazer (doméstico ou não) que envolva os DOIS e iremos ouvir como resposta "ai, deixa de ser louca com toda essa neura", ou até a clássica generalização "mas por que mulher tem que ser neurótica com esse tipo de coisa?".
E nessas horas é que você deve respirar fundo, contar até 12 e repetir seu mantra diário "NÃO, EU NÃO SOU LOUCA. EU ESTOU APENAS PEDINDO A SUA CONTRIBUIÇÃO DENTRO DESTA RELAÇÃO".
Assim como o casamento perfeito, a pessoa perfeita não existe. E ter esse tipo de noção é primordial para vestirmos nossas sandálias da humildade, ouvir o que o outro tem a dizer, refletir e mudar. Sinto muito em informar queridos iniciantes, mas para qualquer relacionamento dar certo, a unica fórmula mágica é tirar o rótulo "maluca" da sua mulher e ouvir (de verdade) o que ela tem a dizer sobre o relacionamento de vocês. 
E antes que alguém pense que a solução dos problemas está em chutar o balde, procurar algum pró-direitos-iguais que tenha o sonho de ser do lar, sinto em informar mas o ciclo irá se repetir um milhão de vezes até o dia que conseguir absorver a principal lição para um casamento imperfeito: VOCÊ NÃO É LOUCA!